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O desembargador
plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Rogério Favreto
voltou a ordenar a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na
tarde deste domingo (8), após manifestação do desembargador relator João Pedro Gebran Neto,
que determinou que a Polícia Federal se abstenha de praticar qualquer ato que
modifique decisão da 8ª Turma, que confirmou a condenação de Lula. Mais cedo, Favreto já havia mandado soltar o petista, e o juiz Sérgio Moro disse que ele não tinha competência para tomar
essa decisão.
Conforme
o novo despacho do desembargador plantonista, a soltura de Lula deve ser
cumprida em até uma hora, a contar a partir da publicação da decisão, às 16h12.
Favreto se manifestou, ainda, sobre a manifestação do colega João Pedro Gebran
Neto e afirmou que "deliberou sobre fatos novos relativos à execução da
pena".
"No
mais, esgotadas as responsabilidades de plantão, sim o procedimento será
encaminhado automaticamente ao relator da 8ª Turma dessa Corte. Desse modo, já
respondo a decisão (Evento 17) do eminente colega, Des. João Pedro Gebran Neto,
que este magistrado não foi induzido em erro, mas sim deliberou sobre fatos
novos relativos à execução da pena, entendendo por haver violação ao direito
constitucional de liberdade de expressão e, consequente liberdade do paciente,
deferindo a ordem de soltura. Da mesma forma, não cabe correção de decisão
válida e vigente, devendo ser apreciada pelos órgãos competentes, dentro da
normalidade da atuação judicial e respeitado o esgotamento da jurisdição
especial de plantão", diz trecho da decisão publicada por Rogério Favreto
nesta tarde.
O
petista foi condenado no processo do triplex, no âmbito da Operação Lava Jato,
por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele está preso desde abril deste ano em Curitiba.
Pela
manhã, o desembargador federal plantonista do TRF-4, Rogério Favreto decidiu conceder liberdade a Lula. Leia a íntegra
do despacho.
Em
seguida, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, no Paraná, afirmou que o desembargador plantonista não tinha competência para
mandar soltar Lula. De acordo com o magistrado, caso ele ou a autoridade
policial cumpra a decisão, estará "concomitantemente" descumprindo a
ordem de prisão do Colegiado da 8ª Turma do TRF-4. Leia a íntegra do despacho.
O
juiz Moro está em férias, mas, segundo a assessoria da Justiça Federal do
Paraná, "por ser citado como autoridade coatora no habeas corpus, ele
entendeu possível despachar no processo".
Em seguida, Favreto emitiu um novo despacho, reiterando a decisão de mandar soltar o ex-presidente. Leia a íntegra do despacho.
Favreto
é desembargador plantonista e já foi filiado ao PT. Ele se desfiliou ao assumir
o cargo no tribunal.
Em
setembro de 2016, durante votação da Corte Especial do TRF-4, ele foi o único
que votou a favor da abertura de um processo administrativo disciplinar contra
Moro e por seu afastamento cautelar da jurisdição, até a conclusão da
investigação.
No
início da tarde, o procurador regional da República plantonista José Osmar
Pumes também se manifestou. Ele pediu a reconsideração da decisão sobre o
pedido de soltura de Lula.
"O
Ministério Público Federal requer que seja reconsiderada a decisão liminar,
para que seja suspensa a determinação contida no evento 3, recolhendo-se o
alvará de soltura, até que o pedido de habeas corpus aqui tratado seja
submetido ao escrutínio da c. 8ª Turma dessa Corte", apontou o procurador.
Lula
foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é o primeiro ex-presidente do Brasil condenado por crime comum.
O
petista se entregou à Polícia Federal no dia 7 de abril. Ele
estava em uma sala especial de 15 metros quadrados, no 4º andar do prédio da
PF, com cama, mesa e um banheiro de uso pessoal. O espaço reservado é um
direito previsto em lei.