As cobranças feitas pelo deputado estadual Wellington do Curso (PPS) sobre a falta de transparência e o destino de recursos públicos para a construção da ponte fantasma sobre o Rio Gangan, a Pai Inácio, mostram que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) entrou num dilema que deve custar o seu projeto de reeleição: Edivaldo roubou dinheiro público ou cometeu estelionato eleitoral?A situação do prefeito de São Luís, que deve agora responder para a população qual das duas ações praticou, ficou mais complicada nessa terça-feira 1, quando Wellington, único dos 42 parlamentares da Casa que tem se atentado para o caso, solicitou ao Executivo municipal informações da obra sobre a obra fantasma, anunciada em parceria com o governo estadual no dia 24 passado. O entendimento preciso do parlamentar é simples: se Edivaldo Júnior afirmou que os quase oito milhões destinados pelo Ministério das Cidades para a revitalização do Rio Gangan não contemplavam a construção da ponte, e não havia verba municipal para a obra, o pedetista precisa explicar então porque colocou uma placa no local e afirmou que as obras já estavam sendo encaminhadas.
“Na semana passada, demos entrada em três requerimentos, solicitando informações ao Ministério das Cidades, Tribunal de Contas da União e Prefeitura de São Luís que solicitava informações sobre a aplicação do crédito de R$ 7.981.898, 60. Após tal solicitação, na tentativa de justificar o descaso para com o bem público municipal, a prefeitura afirmou que os quase oito milhões destinados pelo governo federal para a revitalização do Rio Gangan não contemplavam a construção da ponte. Ora, se o crédito não ‘contemplava’ a obra, por que realizou-se o hipotético lançamento de construção da Ponte? Se o recurso não era para a Ponte por que que, no dia 14 de outubro de 2013, realizou-se o lançamento da construção da obra?", indagou o parlamentar.
HILTON FRANCOCADÊ O DINHEIRO QUE ESTAVA AQUI?Placa da ponte fantasma de Edivaldo Holanda Júnior, já no chão. Já o dinheiro que a própria placa informa ser do tesouro municipal, ninguém sabe onde caiu
Embora faça parte da base do governador Flávio Dino (PCdoB) na Assembleia, ao se pronunciar sobre novos pedidos de informações públicas, Wellington questionou também sobre os processos licitatórios e verbas para a construção da ponte sobre o Rio Gangan, que já se iniciou, mesmo sem ter havido processos legais obrigatórios, como o ambiental e de licitação.
"Se não havia recurso para a construção, por que divulgar o lançamento da referida ponte? Embora os fatos venham a convergir para a possibilidade de estelionato eleitoral, eu insisto em solicitar informações. Por isso, protocolamos mais dois requerimentos na manhã de hoje: um para a Caixa Econômica Federal e outro para a Prefeitura. Se não havia recurso, como a gestão municipal alegou, como explicar o fato do prefeito de São Luís ir, no último dia 24, lançar a ponte novamente? Ante isso, eu pergunto: a obra foi iniciada agora, em agosto, com qual verba? Com qual processo licitatório? Onde está o procedimento de licitação da obra cuja ordem de serviço foi lançada no dia 24? Qual o valor total dessa obra? E os projetos? Sabe-se que, para licitar uma obra, é necessário, no mínimo, um projeto básico. Cadê o projeto básico? Qual origem dos recursos para pagamento desse contrato?", questionou.
Diante dos questionamentos de Wellington do Curso, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior precisa explicar para a população - antes mesmo de ter de se explicar para a polícia: afinal, se havia dinheiro e a ponte não foi construída, esse dinheiro foi desviado? Ou, se não havia destinação de verba, e mesmo assim ele prometeu em outubro de 2013 a construção da ponte Pai Inácio e ainda colocou placa de construção no local, ele admite que enganou a população e cometeu estelionato eleitoral?
Com a palavra, se resolver falar a verdade, o prefeito.