Com o objetivo de esclarecer esse assunto, o médico responde às principais dúvidas sobre o tema. E atenção: evite compartilhar mensagens alarmistas, principalmente se não conseguir comprovar sua fonte.
De onde surgiram os boatos e por que eles são falsos?
Não se sabe de onde surgiram, mas começaram a circular pelas redes sociais diversas mensagens afirmando que mulheres grávidas teriam tomado vacinas contra a rubéola de um lote vencido no Nordeste, o que teria ocasionado os casos de microcefalia. Os boatos, se fossem verdadeiros, isentariam o Zika virus de sua responsabilidade. Não há sentido nenhum nessa afirmação, até porque mulheres gestantes não devem ser vacinadas contra a rubéola.
O calendário nacional de vacinação prevê que a vacina da rubéola seja aplicada aos 12 meses e aos 15 meses (dentro da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola). Esta é uma vacina produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as três doenças. É possível tomar a vacina em outros momentos da vida, mas nunca durante a gestação. As mulheres grávidas que não foram vacinadas antes da gestação devem receber a vacina somente após o parto.
Mas o que acontece se uma mulher grávida tomar a vacina?
Em 2001, aqui no estado de São Paulo, tivemos uma campanha de vacinação contra a rubéola. Em todo o estado foram vacinadas 4.408.844 meninas e mulheres entre 15 a 29 anos de idade, atingindo-se uma cobertura vacinal de 91,16%. E acredite: 6.473 gestantes foram inadvertidamente vacinadas. Acompanhamos e monitoramos essas mulheres de perto e não houve nenhum caso de infecção do bebê por Síndrome da Rubéola Congênita. Trata-se da maior casuística do mundo.
O que eu quero dizer é que o risco é teórico, ou seja, existe, por isso não se deve tomar a vacina durante a gravidez. Mas se isso acontecer, seja por erro ou por desconhecimento da pessoa, não significa que a mulher necessariamente vai ter um filho com má-formação.
E, mesmo sabendo que isso é pouco provável, o que aconteceria se alguém tomasse uma vacina vencida?
A vacina não teria o efeito de proteção, mas não traria malefícios para o indivíduo.
Agora falando do Zika vírus, se uma mulher for contaminada e dois meses depois, por exemplo, engravidar, o bebê terá algum risco?
Não, porque o período em que o vírus circula no organismo é de no máximo sete dias. O que não é recomendado é entrar em contato com o mosquito Aedes aegypti durante a gestação.
Em relação à amamentação, a mulher deve continuar a amamentar mesmo se for contaminada?
Sim. Ainda não há nenhuma evidência de transmissão do vírus pelo leite materno e embora exista um risco teórico de isso ocorrer, o benefício da amamentação é muito superior a ele.
Fonte:DR.Drauziovarella