https://www.radios.com.br/aovivo/radio-central-gospel/273897 PORTAL ROMÉRIO CARVALHO : Cidade no Maranhão tem 2 militares para 46 mil pessoas; recomendação da ONU é de 1 para 300

sábado, 30 de junho de 2018

Cidade no Maranhão tem 2 militares para 46 mil pessoas; recomendação da ONU é de 1 para 300


Wallison Silva Araújo se entregou para dois policiais por suspeita de um assassinato, mas foi morto pela população após ter sido tirado da polícia. (Foto: Divulgação/Polícia Civil )



São apenas dois policiais militares, um investigador, um escrivão e um policial civil que atuam em Araioses para uma população de 46.074 pessoas, conforme última estimativa populacional do IBGE referente a 2017.


Cláudio Cabral Marques, promotor de Justiça Especializada do Controle Externo da Atividade Policial , conta que no Maranhão há pelo menos 100 cidades sem nenhum policial civil e que a Organização das Nações Unidas (ONU) tem uma referência para o número de militares por número de habitantes.

"A referência utilizada pela ONU é de que haja ao menos 1 policial para cada 300 pessoas. No Maranhão o caso da Polícia Civil é ainda pior. Nas cidades onde não há policial civil é preciso que uma delegacia de outra cidade dê conta das ocorrências", declarou o promotor.

Além desses números, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontou em 2017 que o Maranhão possui apenas 1 policial para cada 763 habitantes. A professora da UFMA e pós-doutoranda em direitos humanos Rosângela Guimarães afirma que o baixo efetivo policial representa uma preocupação frente a segurança pública no estado, assim como em todo o país.
“Ainda nos encontramos com um baixo efetivo frente as demandas sociais. Isto resulta em restrição das áreas de policiamento, demora no atendimento de ocorrências e principalmente em ausência ou drástica redução de ações preventivas”, disse a pesquisadora.

Em Araioses, além do baixo efetivo policial, o batalhão de Polícia Militar mais próximo fica em Chapadinha, a 260 quilômetros da cidade. São três horas de viagem até que algum reforço consiga chegar. No caso da Polícia Civil a regional com maior efetivo fica na cidade de Barreirinhas, a duas horas e meia da cidade.
O G1 buscou mais uma vez um retorno da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão a respeito do baixo efetivo policial em Araioses e questionando a logística para casos de emergência na cidade, mas novamente não houve retorno.

Casos recorrentes

No caso da cidade de Araioses, o delegado Raphael Reis comentou que não é a primeira vez que casos de linchamento acontecem por lá. Nos últimos anos foram três ocasiões em que a própria população conseguiu ou tentou assassinar um suspeito antes dele ser preso e julgado. A causa também seria o baixo policiamento na cidade.
“O efetivo é realmente ínfimo, mas somente no ano passado mais de 400 procedimentos foram instaurados e mais de 250 remetidos à Justiça. O problema não está em quem prende”, afirmou o delegado.
Ainda segundo a pesquisadora Rosângela, um baixo número de policiais em uma cidade também acarreta a sensação de impunidade, que pode contribuir para o desejo das pessoas em fazer a própria justiça. O problema se agrava com o falta de orçamento adequado à segurança pública em todo o país.

“Com a falta de estruturação das instituições do poder governamental de Estados e municípios temos, consequentemente, uma maior vulnerabilidade social ao crime e à impunidade, um aumento da sensação de insegurança e uma propensão ao desejo de se fazer justiça com as próprias mãos, o que se constitui a uma involução social no sentido de desrespeito ao direito à vida, cuja proteção é de competência do Estado”, explicou.

“Os orçamentos públicos estaduais encontram-se quase totalmente comprometidos com a estrutura de cargos e pagamento de pessoal, o que inviabiliza a contratação de mais pessoal através da realização de novos concursos, mesmo que para áreas cruciais como a Segurança Pública”, declarou a pesquisadora.

O caso

Segundo a Polícia Civil, no domingo (24) ele matou a golpes de faca um jovem identificado como Madson Araújo da Cruz, que não tinha passagens pela polícia. Um vídeo mostra o momento em que Wallison desce do muro de uma casa e apenas dois policiais tentam acalmar e conter a população.
Em outro vídeo é possível ver o momento em que Wallison é cercado pela população fora da residência. No local ele é chutado e esfaqueado por várias pessoas diante da viatura da PM e dos policiais.

Por motivos de segurança, a polícia teve ainda que retirar de Araioses a família de Wallison. O novo endereço dos parentes é mantido sob sigilo e o delegado da cidade diz que a ação policial foi para evitar mais crimes contra a vida.


Fonte: G1 MA

Mulher morre em Limeira (SP) ao ser jogada de ponte sem corda de proteção

  Uma mulher morreu neste sábado, em Limeira, no interior de São Paulo, ao ser jogada de uma ponte sem corda de proteção. Ela praticava o es...